Coringa: várias máscaras, um rosto



O Coringa é daqueles personagens que fazem valer a definição de arqui-inimigo. É assim nos quadrinhos e costuma ser assim nos passeios que Batman faz por outras mídias. Em via de regra, o palhaço do crime tem um papel de destaque. Foi assim no brilhante "Batman" (1989), de Tim Burton, e, mais recentemente, no "Batman: o cavaleiro das trevas" (2008), de Chris Nolan. A interpretação do ator Heath Ledger para o personagem chamou a atenção para o vilão - e seu Coringa psicótico ficou ainda mais atraente com a morte do ator, por overdose, antes da estréia do filme.

O mercado, como não é besta nem nada, resolveu faturar sobre isso. O lançamento de "Coringa", de Brian Azzarello e Lee Bermejo, e da edição de luxo de "A piada mortal", clássico oitentista de Alan Moore e Brian Bolland, vêm daí. (Uma última palavra sobre o oportunismo: na versão de Azzarello/ Bermejo o vilão ganha as mesmas cicatrizes que estamparam o rosto de Heath Ledger. Tsc, tsc, tsc..)

Oportunismo a parte, os dois volumes que saíram pela Panini são ótimas apresentações ao personagem. Afinal, há três belas introduções ao Coringa: a de "Coringa"; a de "Piada"; e a de sua primeira aparição, em história feita pelo criador de Batman, Bob Kane (um bônus de "Piada"). Cada um mostra um personagem diferente, que tem em comum a loucura e a idéia de ser uma versão ensandecida de uma figura amada pelas crianças. Quem ler com atenção, vai ser que o Coringa é mais que isso. Nos três, há um ponto que se repete com exatidão: a violência extrema do vilão. O Coringa é como a encarnação, não do mal, mas da violência cega. Azzarello, que trabalha em sintonia com a versão de Nolan, mostra o Coringa matando aliados, desafetos e, aleatoriamente, inocentes. Moore o ajuda a apertar o gatilho que deixa Barbara Gordon numa cadeira de rodas, além de torturar o comissário de Gotham. Surpreendentemente, o Coringa de Kane é um bandido que mata pelo menos três pessoas na história, além de tenta dar um fim no homem-morcego. A de Azzarello é legal e bem escrita, mas às vezes parece ser qualquer coisa, menos uma história no universo de Batman. Já o trabalho de Moore é o sempre: genial. O de Kane é o mais fraco, mas vale como documento histórico.

Um comentário:

Diêgo disse...

A mais instigante de todas as versões do Coringa é o Batman. E todas as mencionadas por você a complementam. A propósito, todos em Gotham são meio loucos, não?
Bom para eles! Nas palavras de um personagem de Hugo Pratt: “Os loucos são sagrados, porque sonham de olhos abertos”.
Gostei do mote, amigo.

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