Literatura e Quadrinhos: O Pequeno Príncipe

Clássico de Saint-Exupéry, “O Pequeno Príncipe” ganha adaptação em quadrinhos pelo aclamado artista Joann Sfar

Adaptar uma obra é, sempre, criar outra. Nem todos os autores de adaptações percebem isto, seu trabalho não vai muito além que diluir o original; outros exageram na idéia de criar algo “novo” e deformam a matéria prima que lhe serviu de base.

“O Pequeno Príncipe” (AGIR, 112 páginas, R$ 34), adaptação do quadrinhista franco-belga Joann Sfar para o livro homônimo, é um exemplo da justa medida desta liberdade de criação. O autor se concentrou em ser fiel ao espírito da obra do francês Antoine Saint-Exupéry. Fez uma tradução e, como todo tradutor competente, sabe que este tipo trabalho não passa sem alterações, nem sem as marcas do autor da versão.

Neste álbum, Sfar se revela um artista bem acima da média ao imprimir peso às imagens que produz. Tarefa de difícil execução, se levarmos em conta o peso que as palavras tem na obra. A saída encontrada é amarrar imagem e texto e transformá-lo num contínuo. Isto fica mais claro nas cenas que o príncipe viaja por outros planetas. A interpretação de Sfar para seus habitantes pouco se vale das famosas aquarelas de Saint-Exupéry. Mas, para sua obra, funciona melhor que elas.

Desde já, a adaptação para as HQs, de Joann Sfar, é uma das melhores que o livro ganhou, considerando todas as mídias pela qual passou (teatro, cinema, anime). Tem, ainda, o atrativo de ver Sfar trabalhando sobre um material que não é seu. O quadrinhista ficou famoso por sua série “O gato do rabino”, em que trabalha elementos da cultura tradicional judáica.

* Texto publicado orginalmente com o título "Homenagem buliçosa", no jornal Diário do Nordeste, em 17 de dezembro de 2008.

3 comentários:

Fabianny disse...

Own, que lindinho :P
louca pra ver ;)

Fred Macêdo disse...

O Pequeno Príncipe foi uma obra que me encantou quanto garoto. Sua adaptação para o cinema (1.974) reforçou a magia da história. Ainda estava fresca na minha memória a imagem do ator Gene Wilder como o Willy Wonka, de A Fabulosa Fábrica de Chocolates (1.971), quando este encarnou a raposa. A cena do encontro da raposa com o Pequeno Príncipe é antológica bem como a frase "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".

Valeu a dica!

Dellano Rios disse...

Rapaz, achei o comentário do Fred um pouco sensível demais. Mas tudo bem, ele é amigo.

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