Guia indica 500 "graphic novels" essenciais


Bom, faço minha estréia neste blog escrevendo sobre um tipo de livro que muitos amam odiar (ou odeiam amar), mas que, particularmente, curto bastante: livros do tipo "100 maiores bobagens de todos os tempos". No caso, trata-se de 500 Essential Graphic Novels - the ultimate guide, da editora norte-americana Collins Design, um "tijolinho" de 528 páginas escrito por Gene Kannenberg, Jr, e (ao menos para mim) um dos grandes lançamentos internacionais sobre quadrinhos deste 2008 que já se vai. Aparentemente, Kannenberg está bem amparado para falar sobre o assunto: ele é PhD em quadrinhos pela Universidade de Connecticut - nem consigo imaginar uma titulação assim no Brasil, infelizmente...

Bom, obviamente o livro reúne os 500 quadrinhos mais representativos na visão de Kannenberg - e aqui surgem dois dilemas para ele. Um deles é reunir 500 títulos (até aí, tudo bem) e, depois, convencer as pessoas que mal conhecem quadrinhos de que há, no mínimo, 500 títulos significativos na área. O outro dilema (este, mais complicado) é definir o que ele chama de "graphic novel" (Will Eisner não sabia o que estava criando quando inventou este termo...). Tanto que Kannenberg começa afirmando que Um Contrato com Deus (de 1978 e para o qual Eisner cunhou a expressão "graphic novel") na verdade não seria uma "novela" no seu sentido tradicional, já que o livro na verdade traz apenas três histórias curtas. Kannenberg lembra que Eisner queria, de fato, era mostrar que sua obra não tinha os elementos tradicionalmente associados aos "comics books". Poderíamos dizer que Eisner queria fazer quadrinhos "realistas", longe do universo dos super-heróis ou dos animais antropomorfizados.

Para simplificar, Kannenberg vai usar o termo "graphic novel" para obras que se proponham como "duradouras", não efêmeras (como as publicações mensais norte-americanas ou as semanais britânicas), mas também não necessariamente sérias - o que permite a inclusão de personagens como Calvin e Haroldo, Asterix, Tio Patinhas, Donald e sobrinhos, Nick Fury, Wolverine, Super-Homem, Thor, Batman, Spawn, Homem-Aranha, Bone, Dick Tracy, Groo, Judge Dredd, Popeye, Charlie Brown e Snoopy ou os eternos Spy vs.Spy. Afinal, como lembrava o bom Aristóteles, o homem é o único animal que ri; para mim, o homem é o animal que sabe rir de si próprio...

Ao proceder assim, Kannenberg divide sua obra em dez tópicos com 50 títulos cada: Aventura, Não-Ficção, Crime e Mistério, Fantasia, Ficção Geral, Horror, Humor, Ficção Científica, Super-Heróis e Guerra. Dos 50 títulos de cada tópico, Kannenberg distingue os 10 mais significativos, criando assim uma espécie de "subdivisão" dentro do livro: as 100 mais significativas "graphic novels" de todos os tempos.

Alguns tópicos conseguem se dar bem em um panorama. É o caso de Não-Ficção, que junta os livros de Scott McCloud, o Maus de Art Spiegelman, a obra de História ilustrada de Larry Gonick e as biografias em quadrinhos de Martin Luther King e Malcolm X - algo bastante salutar em tempos de muito oba-oba com Barack Obama...

Ao folhear a obra, porém, surge uma certa tristeza: a maioria dos títulos reunidos, mesmo que antigos (Spirit, Little Nemo, os Contos da Cripta, o Zorro de Alex Toth), está quase toda disponível em catálogo no mercado norte-americano, em álbuns e edições encadernadas ou foi, no mínimo, disponibilizada em fins dos anos 1990 - uma realidade muito distante ainda para os fãs brasileiros que vêem o mercado editorial nacional de quadrinhos cada vez mais em crise, apesar de vários esforços.

Em suma: 500 Essentials Graphic Novels é uma ótima pedida para quem quiser conhecer um pouco mais (e melhor) sobre a diversidade (estilos, temas, gêneros) na produção de quadrinhos pelo mundo. Resta torcer para que alguma editora brasileira faça uma versão em português da obra.

Um comentário:

Fabianny disse...

Parece interessante. Tomara mesmo que alguma editora se interesse em publicar por essas terras.. :P

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